PF sequestra haras, fazendas, carros de luxo e mansões de meio bilhão de grupo suspeito de tráfico internacional
Grupo ligado ao PCC e PGC é alvo de operação em MS que investiga participação de policiais Um haras de luxo, seis fazendas com mais de 5 mil hectares, mans...
Grupo ligado ao PCC e PGC é alvo de operação em MS que investiga participação de policiais Um haras de luxo, seis fazendas com mais de 5 mil hectares, mansões, carros de luxo, lanchas e cavalos de raça estão entre os bens atingidos pela Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4). A ação mira uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Primeiro Grupo Catarinense (PGC), que atuava no tráfico internacional de drogas e armas e tinha uma estrutura de apoio dentro das forças de segurança, segundo a investigação. O patrimônio sequestrado pela Justiça ultrapassa R$ 500 milhões. Além dos imóveis e veículos, foram determinadas medidas para bloquear até R$ 300 milhões em contas bancárias de 170 pessoas e empresas investigadas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp De acordo com a Polícia Federal, a Justiça determinou o sequestro de: Cerca de 160 imóveis, entre mansões e apartamentos de alto padrão; Um haras de luxo; Seis fazendas em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Amazonas, com mais de 5 mil hectares; Mais de 150 veículos, incluindo modelos de luxo; Cavalos de raça e outros animais; Lanchas. Durante as buscas, foram apreendidos ainda dinheiro em espécie, dólares, diversas armas, munições e um relógio Rolex. Família investigada tinha forte presença na fronteira Operação contra facções e policiais sequestra haras, fazendas, cavalos e carros de luxo em MS Polícia Federal/ Giovanna Dauzacker, TV Morena Durante entrevista sobre a operação, o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul afirmou que a família investigada atua no tráfico de drogas há mais de uma década e tinha forte presença na região de fronteira. Segundo ele, o grupo trazia drogas e armas de países vizinhos, principalmente Paraguai e Bolívia, e distribuía os produtos para grandes centros brasileiros e também para o exterior, especialmente países da Europa. "Uma família dedicada ao tráfico de drogas há mais de uma década e o que chama atenção é que ela usava a estrutura também de agentes públicos, infelizmente, aqui no Estado de Mato Grosso do Sul", afirmou. A investigação também identificou movimentações financeiras superiores a R$ 500 milhões em dois anos. Segundo a PF, o dinheiro circulava por contas dos investigados, doleiros, empresas de fachada e negócios simulados para esconder a origem dos recursos. Grupo usava drogas apreendidas pela polícia Um dos pontos destacados pelo superintendente é que a organização não dependia apenas de entorpecentes trazidos de outros países. Segundo ele, o grupo também conseguia ter acesso a drogas que já haviam sido apreendidas pelas próprias forças de segurança. "Ela tinha que ter acesso a esse material ilícito. E ela obtinha tanto dos países vizinhos, como se valendo, por vezes, de apreensões realizadas pelas próprias forças de segurança do Estado. Elas tinham acesso a esse material e recolocavam isso para o comércio", explicou. A investigação aponta que policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal de Mato Grosso forneciam informações sigilosas à organização em troca de dinheiro e bens. De acordo com a PF, os agentes também facilitavam o acesso a drogas apreendidas e repassavam informações de dentro das corporações. O superintendente afirmou que, até o momento da entrevista, os indícios sobre a participação dos servidores públicos apontavam principalmente para o favorecimento do acesso aos entorpecentes e o fornecimento de informações aos criminosos. "Então, a participação dos agentes públicos é nesse sentido, de retirada de droga das unidades policiais e de favorecimento aos criminosos com informações de dentro das polícias", disse. Família não era a única a atuar na fronteira Questionado se o grupo seria o principal responsável pelo controle do tráfico na fronteira, o superintendente afirmou que a família tinha forte atuação na região, mas que não é possível atribuir o domínio a uma única organização. Segundo ele, existem outros grupos criminosos com atuação na fronteira entre Brasil e Paraguai e entre Brasil e Bolívia. "É apenas mais uma organização que aqui se instalou e que tem muita força, é muito robusta, mas não podemos afirmar que seja a última ou que seja a única", afirmou. A principal área de atuação do grupo investigado era a região entre Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. As drogas e armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai. Os entorpecentes abasteciam cidades brasileiras e também eram enviados para a Europa, principalmente Espanha e Portugal. Violência era usada para controlar territórios Ação da PF contra grupo ligado ao PCC e ao PGC atinge patrimônio superior a R$ 500 milhões Polícia Federal Além do tráfico, a organização é investigada por sequestros, torturas, cárcere privado, atentados e homicídios. Segundo a PF, os integrantes utilizavam armas pesadas, como fuzis, metralhadoras, granadas e lança-foguetes, além de drones e veículos blindados para intimidar rivais e controlar territórios. O superintendente afirmou que a violência era usada para sustentar o esquema de tráfico de drogas. "Para esse tipo de atitude, usavam também de muita violência, muitas armas de fogo. Nós temos aí indicativos de homicídios, nós temos indicativos de torturas, de cárcere privado, de sequestro, tudo envolvendo essa prática de tráfico de drogas na modalidade internacional e derivado a isso também toda a prática de lavagem de dinheiro", declarou. Durante o cumprimento dos mandados, foram registrados flagrantes de armas de fogo e apreensões de armamentos. Até o momento da entrevista, segundo o superintendente, não havia indicação de um ponto de venda de drogas encontrado durante a operação. Entenda a Operação Ifrit A operação foi deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal, após autorização da Justiça Federal de Campo Grande. Os mandados são cumpridos em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. A Justiça autorizou 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária. Também foram determinadas três medidas de monitoramento eletrônico e o afastamento de três policiais civis de Mato Grosso do Sul. A investigação aponta que a organização era comandada por um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes. A PF afirma que o grupo movimentou mais de R$ 500 milhões em dois anos, por meio de contas de investigados, doleiros e empresas de fachada. Entre 2022 e 2026, a PF realizou ou monitorou pelo menos 12 apreensões relacionadas ao grupo. Nessas ações, foram apreendidas mais de 2,5 toneladas de cocaína, oito toneladas de maconha, 50 quilos de dry e diversas armas, incluindo fuzis e pistolas. Delegado é suspeito de desviar 2 toneladas de cocaína Entre os alvos da operação está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que já chefiou a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e o Grupo de Repressão a Roubos e Furtos (Garras), em Mato Grosso do Sul. Segundo a PF, ele é suspeito de integrar a cúpula da organização criminosa e de usar o cargo para desviar cerca de duas toneladas de cocaína que estavam armazenadas na Denar. A investigação aponta que a droga apreendida em operações policiais era retirada do depósito e substituída por uma versão adulterada, de baixa qualidade, para que o desvio não fosse percebido. Ainda conforme a investigação, o delegado teria vendido a cocaína desviada por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil o quilo. A PF estima que ele tenha obtido pelo menos R$ 15 milhões com o esquema, além de veículos, uma mansão no condomínio Alphaville, em Campo Grande, e um sítio em Pirenópolis (GO). Hoffman já estava preso preventivamente por causa de outro procedimento. Nesta quarta-feira, foi cumprido um novo mandado de prisão preventiva contra ele, no âmbito da Ifrit. Após o cumprimento da ordem, foi encaminhado à unidade prisional. Em nota, a defesa informou que ainda não teve acesso integral ao processo, à decisão que determinou a nova prisão nem às provas que embasaram as medidas. Por isso, afirmou que considera prematuro comentar as novas acusações. Os advogados disseram que vão analisar o material assim que tiverem acesso aos autos e adotar as medidas cabíveis. A defesa ressaltou que prisões preventivas e medidas de investigação não representam uma condenação e que os fatos devem ser analisados durante o processo, com garantia do contraditório e da ampla defesa. Policial civil Douglas Tobias também foi alvo O policial civil Douglas Tobias, que também foi preso em setembro durante a Operação Infiltrados, do Gaeco, voltou a ser alvo de mandados nesta quarta-feira. A operação anterior investigou suspeitas de desvio de drogas apreendidas pela polícia. A defesa informou que acompanhou o cumprimento do mandado de busca e apreensão, mas ainda não teve acesso à decisão judicial e ao conteúdo do inquérito. Em nota, o advogado Luiz Renê afirmou que Douglas está à disposição para prestar esclarecimentos e declarou que o cliente não tem nada a esconder. "De todo modo, Douglas Tobias mais uma vez demonstrou se tratar de pessoa idônea, profissional exemplar e que nada tem a esconder, estando à disposição para prestar esclarecimentos e esperando que se faça justiça", disse o advogado. As investigações continuam. Os suspeitos poderão responder, conforme a participação de cada um, por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, corrupção, tortura e homicídio. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: